Durante muito tempo as minhas caminhadas tinham sempre um propósito adicional: ouvir um podcast, cumprir um número de passos, chegar a algum sítio. A caminhada era um meio. Raramente era um fim.

Um dia saí de casa sem auscultadores e sem destino. Apenas caminhei. Sem música. Sem a intenção de “aproveitar” o tempo.

Às vezes caminhar é suficiente.

O que acontece quando se tira o estímulo

Nos primeiros minutos a mente protestou. Queria algo para se agarrar. Depois, lentamente, começou a quietar. O olhar foi para as árvores, para a luz, para as pessoas, para o chão.

Notei detalhes que normalmente escapavam. A caminhada deixou de ser um intervalo entre duas tarefas e passou a ser uma experiência por si só.

Sem destino

Não ter um ponto de chegada também mudou a qualidade do movimento. Não havia pressa. Podia parar. Podia mudar de direção. A liberdade de não ter de cumprir um itinerário tornava a experiência mais leve.

Em dias de trabalho intenso, esta caminhada sem propósito tornou-se um dos momentos mais restauradores. Dez ou quinze minutos já fazem diferença. O essencial é a ausência de estímulo digital e a ausência de objetivo de chegada.

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