Durante anos o meu dia terminava de forma abrupta. Trabalhava até tarde, depois sentava-me no sofá com o telefone, e adormecia quando o cansaço ganhava. Não havia transição.

Comecei a experimentar uma forma diferente de fechar o dia. Não uma rotina elaborada, mas uma sequência simples de gestos que sinalizavam que a parte ativa do dia estava a terminar.

O dia precisa de um final, não apenas de um corte.

A luz

O primeiro gesto foi baixar a intensidade das luzes. Depois do jantar, apagava as luzes mais fortes e deixava apenas uma ou duas fontes mais quentes e indiretas. A casa ficava mais suave.

Esta mudança de luz tornou-se um sinal claro. O corpo reconhecia: a fase de produção tinha terminado.

O som e o espaço

Reduzi o volume e a quantidade de estímulos sonoros. Menos notícias. Menos vídeos. Às vezes silêncio. Antes de me deitar, fazia um arrumar mínimo: a mesa de trabalho ficava livre, a loiça era tratada.

Acordar num espaço minimamente arrumado mudava a qualidade da manhã seguinte. Havia menos ruído visual a receber-me.

Se quiseres experimentar, escolhe apenas um dos três elementos: a luz, o som ou o espaço. Faz a mudança durante uma semana e observa.

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